ASSEPSIA E ANTISSEPSIA: TÉCNICAS DE ESTERILIZAÇÃO
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ASSEPSIA E ANTISSEPSIA: TÉCNICAS
DE ESTERILIZAÇÃO
Takachi Moriya1, Jose Luiz Pimenta Módena2
1Docente, Disciplina de Cirurgia Vascular. 2Docente, Disciplina de Gastroenterologia. Departamento de Cirurgia e
Anatomia. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP.
CORRESPONDÊNCIA: Departamento de Cirurgia e Anatomia da Faculdade de Medicina de Ribeirão
Preto - USP. Av. Bandeirantes,
3900, 14049-900 - Ribeirão Preto / SP.

1- INTRODUÇÃO
O hospital deve ser considerado insalubre por vocação, pois concentra
hospedeiros mais suscetíveis e microorganismos mais resistentes. Os
micro-organismos contaminam artigos hospitalares, colonizam pacientes graves e
podem provocar infecções mais difíceis de serem tratadas. O risco de
contraí-las depende, no entanto, do número e da virulência dos microorganismos
presentes e, acima de tudo, da resistência antiinfecciosa local, sistêmica e
imunológica do paciente e da consciência do pessoal médicos e paramédicos que
atuam no estabelecimento.
O ato de lavar as mãos, antes e após examinar pacientes, ainda não é um
hábito corrente em nossos dias, século XXI, apesar da sua importância já ter
sido demonstrada em 1847/8 por Semmelweis em Viena.
Na França,
Saldmann demonstrou recentemente que 73% das pessoas saem do banheiro com as mãos contaminadas (90% por
Escherichia coli) e que, após duas horas 77% exibem o mesmo germe na boca!
Cerca de 50% das pessoas saem do banheiro sem lavar as mãos, quando sozinhas,
entretanto, se houver outra pessoa no banheiro só 9 % saem sem lavar as mãos,
demonstrando que muitos conhecem os bons hábitos higiênicos, mas, não os
cumprem!!!
2- DEFINIÇÕES
Assepsia: é o conjunto de medidas que utilizamos
para impedir a penetração de microorganismos num ambiente que logicamente não
os tem, logo um ambiente asséptico é aquele que está livre de infecção.
Antissepsia: é o conjunto de medidas propostas para
inibir o crescimento de microorganismos ou removê-los de um determinado
ambiente, podendo ou não destruí-los e para tal fim utilizamos antissépticos ou
desinfetantes.
Degermação:
Vem do inglês degermation, ou desinquimação, e significa a diminuição do
número de microorganismos patogênicos ou não, após a escovação da pele com água
e sabão.
Fumigação: é a dispersão sob forma de partículas, de
agentes desinfectantes como gases, líquidos ou sólidos.
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Desinfecção: é o processo pelo qual se destroem
particularmente os germes patogênicos e/ou
se inativa sua toxina ou se inibe o seu desenvolvimento. Os esporos não são
necessariamente destruídos.
Esterilização: é processo de destruição de todas as
formas de vida microbiana (bactérias nas formas vegetativas e esporuladas,
fungos e vírus) mediante a aplicação de agentes físicos e ou químicos, Toda
esterilização deve ser precedida de lavagem e enxaguadura do artigo para
remoção de detritos.
Esterilizantes: são meios físicos (calor, filtração,
radiações, etc) capazes de matar os esporos e a forma vegetativa, isto é,
destruir todas as formas microscópicas de vida.
Esterilização: o conceito de esterilização é absoluto.
O material é esterilizado ou é contaminado, não existe meio termo.
Germicidas: são meios químicos utilizados para
destruir todas as formas microscópicas de vida e são designados pelos sufixos
"cida" ou "lise",
como por exemplo, bactericida, fungicida,
virucida, bacteriólise etc.
Na rotina, os termos antissépticos, desinfetantes e germicidas são
empregados como sinônimos, fazendo que
não haja diferenças absolutas entre desinfetantes e antissépticos. Entretanto,
caracterizamos como antisséptico quando a empregamos em tecidos vivo e
desinfetante quando a utilizamos em objetos inanimados.
Sanitização,
neologismo do inglês sanitization, em que emprega sanitizer, tipo particular de
desinfetante que reduz o número de bactérias contaminantes a níveis julgados
seguros para as exigências de saúde pública.
3- ANTISSEPSIA
A
descontaminação de tecidos vivos depende da coordenação de dois processos:
degermação e antissepsia.
3.1-
Degermação
É a remoção de detritos e impurezas depositados sobre a pele. Sabões e
detergentes sintéticos, graças a sua propriedade de umidificação, penetração,
emulsificação e dispersão, removem mecanicamente a maior parte da flora
microbiana existente nas camadas superficiais da pele, também chamada flora
transitória, mas não conseguem remover aquela que coloniza as camadas mais
profundas ou flora residente.
3.2- Antissepsia
É a destruição de micro-organismos existentes nas camadas superficiais ou
profundas da pele, mediante a aplicação de um agente germicida de baixa
causticidade, hipoalergenico e passível de ser aplicado em tecido vivo.
Os detergentes sintéticos não-iônicos praticamente são destituídos de ação
germicida.
Sabões e
detergentes sintéticos aniônicos exercem ação bactericida contra
microorganismos muito frágeis como o Pneumococo, porém, são inativos para Stafilococcus
aureus, Pseudomonas aeruginosa e outras bactérias Gram negativas.
Consequentemente, sabões e detergentes sintéticos (não iônicos e aniônicos)
devem ser classificados como degermantes, e não como antissépticos.
4- ANTISSÉPTICOS
Um antisséptico
adequado deve exercer a atividade gemicida sobre a flora cutâneo-mucosa em
presença de sangue, soro, muco ou pus, sem irritar a pele ou as mucosas. Muitos
testes in vitro foram propostos para
avaliar a ação de antissepticos, mas a avaliação definitiva desses
germicidas só pode feita mediante testes in vivo. Os agentes que melhor satisfazem as exigências para
aplicação em tecidos vivos são os iodos, a cloro-hexidina, o álcool e o
hexaclorofeno.
4.1-
Para a desinfecção das mãos temos
•
Soluções
antissépticas com detergentes (degerman-tes) e se destinam à degermação da
pele, removendo detritos e impurezas e realizando anti-sepsia parcial. Como
exemplos citam:
- Solução detergente de PVPI a 10% (1% de
iodo ativo)
- Solução detergente de clorhexidina a 4 %,
com 4% de álcool etílico.
• Solução alcoólica para anti-sepsia das
mãos:
- Solução de álcool iodado a 0,5 ou 1 %
(álcool etílico a 70%, com ou sem 2 % de glicerina)
- Álcool etílico a 70%, com ou sem 2% de
glicerina.
4.2-
Compostos de iodo
O iodo é um halogênio pouco solúvel em água, porém facilmente solúvel em álcool e em soluções aquosas de
iodeto de potássio. O iodo livre é mais bactericída do que bacteriostático, e
dá um poder residual à solução. O iodo é um agente bactericida com certa
atividade esporicida. Esta, contudo, é influenciada por condições ambientais
como a quantidade de material orgânico e o grau de desidratação. Além disso, o
iodo é fungicida e, de certo modo, ativo contra o vírus.
O composto de iodo mais usado é o álcool iodado a 0,5% ou 1 %. A solução de
iodo deve ser preparada semanalmente e condicionada em frasco âmbar com tampa
fechada, para evitar deteriorização e evaporação e devidamente protegido da luz
e calor.
Em resumo: os
compostos iodados têm ação bactericida, bacteriostático e residual.
4.3-
Iodóforos
Shelanski & Shelanski, em 1953,
descobriram que o iodo poderia ser
dissolvido em polivinilpirrolidona (PVP), um polímero muito usado para
detoxicar e prolongar a atividade farmacológica
de medicamentos e também como expansor plasmático. Além de conservar
inalteradas as propriedades germicidas do iodo, apresenta as seguintes
vantagens sobre as soluções alcoólicas e aquosas desse agente, pois não queima, não mancha
tecidos, raramente provoca reações alérgicas, não interfere no metabolismo e
mantém ação germicida residual. São
chamados de iodóforos e liberam o iodo lentamente, permitindo uma estabilidade
maior para a solução.
Os compostos de iodo têm ação residual, entretanto sua atividade é
diminuída em virtude da presença de substâncias alcalinas em matérias
orgânicas.
A hipersensibilidade ao iodo contido
no PVPI tem sido descrita na relação de 2: 5000. E com os outros compostos do tipo álcool
iodado, essa relação é maior.
O iodóforo mais usado para a anti-sepsia das mãos é a solução degermante,
de PVPI a 10% (1% de iodo ativo), em solução etérica, que é bactericida,
tuberculicida, fungicida, virucida e tricomonicida. Essa solução tem a seu
favor, o fato de não ser irritante, ser facilmente removível pela água e reagir
com metais.
Para as feridas abertas ou mucosas, (sondagem vesical), usamos o complexo
dissolvido em solução aquosa.
Para a anti-sepsia da pele integra
antes do ato cirúrgico, usamos o complexo dissolvido em solução alcóolica.
Em resumo: Os iodóforos têm ação bactericida, fungicida, virucida e ação
residual.
4.4- Cloro-hexedina ou
clorhexedina
A cloro-hexedina (l, 6 di 4-clorofenil-diguanidohexano) é um germicida do
grupo das biguanidas, apresenta maior efetividade com um pH de 5 a 8, e age
melhor contra bactérias Gram-positivas
do que Gram-negativas e fungos. Tem ação imediata e tem efeito residual.
Apresenta baixo potencial de toxicidade e de fotossensibilidade ao contato,
sendo pouco absorvida pela pele integra.
Para casos de alergia ao iodo, pode-se fazer a degermação prévia com
solução detergente de clorohexidina a 4%.
As formulações para uso satisfatório são: solução de gluconato de
clorhexedina a 0,5%, em álcool a 70% e solução detergente não ionica de
clorhexedina a 4%, contendo 4% de álcool isopropilico ou álcool etílico para
evitar a contaminação com Proteus e Pseudomonas.
Soluções aquosas de clorhexedina em
concentrações inferiores a 4% de álcool, com ou sem cetrimida, são mais
facilmente contamináveis sendo considerados inadequados para uso hospitalar.
Em resumo: A
ação da clorohexedina é germicida, melhor contra Gram-positivo e tem ação
residual.
4.5-
Álcool
Os álcoois etílico e isopropílico, em concentrações de 70 a 92 % em peso
(80 a 95% em volume a 25oC), exercem ação germicida quase imediata, porém
sem nenhuma ação residual e ressecam a pele em repetidas
aplicações, o que pode ser evitado adicionando se glicerina a 2%..
O álcool etílico é bactericida, age coagulando a proteína das bactérias,
fungicida e virucida para alguns vírus, razão pela qual é usado na composição
de outros antissépticos. A ação
bactericida dos álcoois primários está relacionada como seu peso molecular, e
pode ser aumentada através da lavagem das mãos com água e sabão.
Em resumo: O
álcool etílico é bactericida, fungicida e virucida seletivo, sem ação residual.
4.6-
Sabões e detergentes
Sabões são sais que se formam pela reação de ácidos graxos, obtidos de
gorduras vegetais e animais, com metais ou radicais básicos (sódio, potássio,
amônia etc), são detergentes ou surfactantes aniônicos porque agem através de
moléculas de carga negativa.
Existem vários tipos e apresentação de sabão: em barra, pó, líquido e
escamas.
Alguns sabões em barra são alcalinos (pH 9,5 a 10,5) em solução. Sua
qualidade pode ser melhorada através da adição de produtos químicos. O sabonete
é um tipo de sabão em barra (composto de sais alcalinos de ácidos graxos)
destinado à limpeza corporal, podendo conter outros agentes tensoativos, ser
colorido e perfumado e apresentar formas e consistências adequadas ao uso.
O sabão/sabonete antimicrobiano contém antissépticos em concentração
suficiente para ser desodorante, sendo usado para lavar as mãos antes de
procedimentos cirúrgicos.
Os sabões têm ações detergentes, que remove a sujidade, detritos e
impurezas da pele ou outras superfícies. Determinados sabões apresentam
formação de espuma que extrai e facilita a eliminação de partículas. A formação
de espuma representa, além da ação citada, um componente psicológico de vital
importância para a aceitação do produto.
Preconiza-se o uso de sabão líquido no hospital e unidades de saúde e, como
segunda opção, o sabão em barra ou sabonete, em tamanho pequeno.
O cuidado maior que se deve ter no manuseio do sabão é evitar seu contato
com a mucosa ocular, contato prolongado com a pele, que pode produzir irritação
local.
Em resumo: Os
sabões têm ação detergente ou
degermante.
4.7-
Cloro e derivados clorados
O cloro é o mais potente dos
germicidas que existem. Tóxico para todo tipo de matéria viva, é utilizado para
desinfetar objetos, água de
abastecimento e, até certo ponto, tecidos. Pode ser usado sob forma de gás ou
derivado clorados que desprendem ácido hipocloroso, que no caso é o agente germicida
que interage com a matéria orgânica e destrói tecidos normais. A ação
bacteriana do cloro é anulada pela matéria orgânica e pH alcalino. Não é
recomendado para desinfetar instrumentos por ser corrosivo.
Em medicina o derivado clorado mais usado é a solução de hipoclorito de
sódio ou solução de Dakin, a 0,5 %.
A solução a 5% é um potente germicida indicado para desinfetar instrumentos
e utensílios, é muito irritante para os tecidos e não deve ser usado como
antisséptico.
Em resumo: O cloro
é um potente germicida.
4.8-
Compostos de prata
Sais de prata, solúveis ou coloidais, já foram utilizados na anti-sepsia
das mucosas, exercendo sua ação
através da precipitação do ion
Ag.
O nitrato de prata, em aplicação tópica, é bactericida para a maioria dos
micróbios na concentração de 1/1000 e se na concentração de 1/10.000 é
bacteriostática.
A instilação de duas gotas de uma solução a 1% de nitrato de prata no saco
conjuntival dos recémnascidos evita a oftalmia neonatal.
Em resumo: Os
sais de prata são bacteriostáticos.
4.9-
Desinfetantes oxidantes
Esses compostos se caracterizam pela produção de oxigênio nascente, que é
germicida.
A água oxigenada ou peróxido de hidrogênio é o protótipo dos peróxidos,
entre os quais ainda se contam os peróxidos de sódio, zinco e benzila.
A água oxigenada se decompõe rapidamente, e libera oxigênio
quando entra em contato com a catalase, enzima encontrada no sangue e maioria
dos tecidos. Este efeito pode ser reduzido na presença de matéria orgânica.
Útil na remoção de material infectado através da ação mecânica do oxigênio
liberado, limpando a ferida muitas vezes melhor que solução fisiológica ou
outros desinfetantes. Não deve ser aplicada em cavidades fechadas ou abscessos
de onde o oxigênio não possa liberar-se 3.
O permanganato de potássio é um
potente oxidante que se decompõe quando em contato com matéria orgânica. Já
teve grande uso no passado, mas hoje está ultrapassado como antisséptico 3.
Em resumo: Os
desinfetantes oxidantes têm ação germicida.
4.10-
Derivados fenólicos
Os fenóis e derivados são conhecidos de longa data como venenos
protoplasmáticos gerais, precipitando e desnaturando as proteínas. O fenol, em
soluções diluídas, age como antisséptico
e desinfetante, com espectro anti-bacteriano que varia com a espécie do
micróbio, não sendo esporocida.
É usado principalmente para desinfetar instrumentos e para cauterizar
ulceras e áreas infectadas da pele. O fenol, na concentração de 1/500 a 1/800,
é bacteriostático, e nas concentrações de 1/50 a 1/100 torna-se bactericida.
Os cresóis, derivados metílicos do fenol, são menos irritantes e menos
tóxicos que o fenol e parecem possuir ação anti-séptica mais poderosa.
Os derivados halogenados dos fenois são também antimicrobianos mais
potentes que o fenol, como o hexilresorcinol, por exemplo.
Os derivados fenólicos são usados principalmente para desinfetar objetos
porque são cáusticos e tóxicos para os tecidos vivos. O fenol e os cresóis não
devem ser usados para desinfetar artigos de borracha, de plástico, ou tecidos
que possam entrar em contato com a pele, de que podem resultar queimaduras.
Atualmente não mais se usa fenol como antisséptico ou desinfetante.
Em resumo: O
derivado fenólico tem ação bactericida e não esporocida, utilizados em
instrumental.
4.11-
Aldeídos
O aldeído fórmico, também chamado formaldeido, formol, formalina ou
oximetileno, resulta da oxidação parcial do álcool metílico. Sofre ação da luz,
polimerizando e dando origem a paraformaldeído.
O formol é um líquido límpido, incolor, picante, sabor caustico. Seus
vapores são irritantes para as mucosas (nariz, faringe, olhos etc.), que podem
ser combatidos usando-se amoníaco
diluído.
É desinfetante potente, com poder de penetração relativamente alto e baixa
toxicidade, seu poder de potente redutor, reage com substâncias orgânicas e
precipita as proteínas, germicida por excelência, age inclusive sobre os
esporos. Desnatura as proteínas, reagindo com os grupos aminos livres, e isso
faz a transformação de toxina em toxóide ou antoxina, conservando assim o poder
de antigenicidade.
O aldeído fórmico, com sabão, forma o lisol. O lisoformio tem na sua
composição além de outros ingredientes ,
o aldeído fórmico e sabão em solução a 1% a 10%.
O dialdeído fórmico ou aldeído
glutárico (Cidex) é usado em soluções aquosas a 2%, previamente alcalinizadas,
é menos irritante que o formaldeido, tem menor índice de coagulação de
proteínas, não é corrosivo, não altera artigos de borracha, de plástico, de
metal ou os mais delicados instrumentos de corte e instrumentos ópticos, não
dissolve o cimento das lentes dos equipamentos ópticos em exposições por
períodos curtos. É nocivo à pele, mucosa
(olhos) e alimentos.
Em resumo: Os aldeídos têm ação bactericida e esporocida.
4.12- Derivados furânicos
A nitrofurazona (furacin) tem amplo espectro antibacteriano, interferindo
no sistema enzimático dos microorganismos pela inibição do metabolismo dos
hidratos de carbono, sendo usada apenas como tópico no tratamento de certas
infecções assestadas na pele, feridas infectadas ou queimaduras, o uso continuo
pode provocar intolerância e sensibilização. Não afeta a cicatrização, a
fagocitose e a atividade celular e a sua eficácia persiste na presença de
sangue, pus ou exsudato, diminui o mau cheiro e quantidade de secreção da
ferida .
Em resumo: Os
derivados furanicos têm ação bactericida.
5- TÉCNICAS DE ESTERILIZAÇÃO
Esterilização é a destruição de todos os organismos vivos, mesmo os esporos
bacterianos, de um objeto.
Para isso
dispomos de agentes físicos e químicos.
5.1- Meios de esterilização:
Físico
• Calor seco
-
Estufa
-
Flambagem
-
Fulguração
• Calor úmido
-
Fervura
-
Autoclave
• Radiações
-
Raios alfa
-
Raios gama
-
Raios x
Químico
• Desinfetantes
Para conseguir-se a esterilização, há vários fatores importantes:
Das características dos microorganismos, o grau de resistência das formas
vegetativas; a resistência das bactérias produtoras de esporos e o número de
microorganismos e da característica do agente empregado para a esterilização.
5.2- Esterilização pelo calor
A susceptibilidade dos organismos ao calor é muito variável e dependem de
alguns fatores, e dentre eles citamos:
a)
Variação individual de resistência,
b) Capacidade de formação de esporos,
c) Quantidade de água do meio,
d)
ph do meio,
e)
Composição do meio.
5.3- Esterilização pelo calor seco
A incineração afeta aos microorganismos de forma muito parecida a como
afeta as demais proteínas. Os microorganismos são carbonizados ou consumidos
pelo calor (oxidação), assim, podemos usar a chama para esterilizar (flambagem)
e a eletricidade (fulguração).
O aparelho mais comum para a esterilização pelo calor seco é a estufa, que
consiste em uma caixa com paredes duplas, entre as quais circula ar quente,
proveniente de uma chama de gás ou de uma resistência elétrica. A temperatura
interior é controlada por um termostato.
As estufas são usadas para esterilizar materiais ¨secos¨, como vidraria,
principalmente as de precisão, seringas, agulhas, pós, instrumentos cortantes,
gases vaselinadas, gases furacinadas, óleos, vaselina, etc.
A esterilização
acontece quando a temperatura no interior da estufa atinge de 160 oC a 170oC,
durante 2 horas, ocorrendo destruição de
microorganismos, inclusive os esporos. Deve-se salientar que a temperatura
precisa permanecer constante por todo esse tempo, evitando-se abrir a porta da
estufa antes de vencer o tempo.
5.4- Esterilização pelo calor úmido
Podemos usar o calor das seguintes formas:
• Fervura
Foi um método
correntemente usado na prática diária, mas não oferece uma esterilização
completa, pois a temperatura máxima que
pode atingir é 100oC ao nível do mar, e sabemos que os esporos, e alguns vírus,
como o da hepatite, resistem a essa temperatura, alguns até por 45 h. Por outro
lado, a temperatura de ebulição varia com a altitude do lugar.
• Cuidados na
esterilização pela fervura
a) Devem-se eliminar as bolhas, pois estas
protegemas bactérias - no interior da bolha impera o calor seco, e a
temperatura de fervura (100oC), este calor é insuficiente para a esterilização
b) Devem-se eliminar as substâncias
gordurosas eprotéicas dos instrumentos, pois estas impedem o contacto direto do
calor úmido com as bactérias.
5.4-
Esterilização pelo vapor sob pressão (autoclave)
Age através da difusão do vapor d'água para dentro da membrana celular
(osmose), hidratando o protoplasma celular, produzindo alterações químicas
(hidrólise) e coagulando mais facilmente o protoplasma, sob ação do calor.
O autoclave é uma caixa metálica de paredes duplas, delimitando assim duas
câmaras; uma mais externa que é a câmara de vapor, e uma interna, que é a
câmara de esterilização ou de pressão de
vapor. A entrada de vapor na câmara de esterilização se faz por uma abertura
posterior e superior, e a saída de vapor se fazem por uma abertura anterior e
inferior, devido ao fato de ser o ar mais pesado que o vapor.
O vapor é admitido primeiramente na câmara externa com o objetivo de
aquecer a câmara de esterilização, evitando assim a condensação de vapor em
suas paredes internas. Sabe-se que 1 grama de vapor saturado sob pressão,
libera 524 calorias ao se condensar. Ao entrar em contacto com as superfícies
frias o vapor saturado se condensa imediatamente, molhando e aquecendo o
objeto, fornecendo assim dois fatores importantes para a destruição dos
micro-organismos.
O vapor d'água, ao ser admitido na
câmara de esterilização é menos denso que o ar, e portanto empurra este para baixo, até que sai da câmara, e através
de correntes de convecção, retira todo o ar dos interstícios dos materiais
colocados na câmara. Ao condensar-se, reduz de volume, surgindo assim áreas de
pressão negativa, que atraem novas
quantidades de vapor. Desse modo, as disposições dos materiais a serem
esterilizados dentro da autoclave devem obedecer a certas regras, formando
espaços entre eles e facilitando o escoamento do ar e vapor, tendo-se em mente
a analogia com o escoamento de água de um reservatório, evitando assim a
formação de ¨bolsões¨ de ar seco (onde agiria
apenas o calor seco, insuficiente para esterilizar nas temperaturas
atingidas habitualmente pelo autoclave.
A quantidade efetiva de água sob a forma de vapor dentro da câmara de
pressão pode ser reduzida, de modo que, ao retirar-se os objetos esterilizados,
estes estejam quase secos.
A ação combinada de temperatura, pressão e da umidade são suficientes para
uma esterilização rápida, de modo que vapor saturado a 750 mmHg e temperatura
de 121ºC são suficientes para destruir os esporos mais resistentes, em 30 minutos.
Essa é a combinação mais usada, servindo para todos os objetos que não estragam
com a umidade e temperatura alta como panos meios bacteriológicos, soluções salinas,
instrumentais (não os de corte), agulhas, seringas, vidraria (não as de
precisão ) etc.
Usando-se vapor saturado a 1150 mmHg e 128º C, o tempo cai para 6 minutos,
podendo se assim evitar a ação destruidora do calor sobre panos e borracha.
Em casos de emergência, usamos durante 2 minutos a temperatura de 132ºC e
1400 mmHg.
Para testar a eficiência da esterilização em autoclave lançamos mão de
indicadores, que pode ser tintas que mudam de cor quando submetidas a
determinada temperatura durante certo tempo, ou tiras de papel com esporos
bacterianos, que são cultivados em caldos após serem retirados do autoclave.
Como exemplo
citamos tubinho contendo ácido benzóico mais eosina, que tem ponto de fusão de
121ºC. Anidrido ftalico mais verde metila tem ponto de fusão de 132ºC. Ácido
salicilico mais violeta de genciana tem ponto de fusão de 156ºC.
5.5-
Bioindicadores
Podemos usar ampolas contendo 2 ml de caldo de cultura com açúcares mais um
indicador de pH e esporos de bacilo
Stearo thermophilus (espécie não patogênica), esporo estes que morrem quando
submetidos a 121ºC por 15 minutos. Incuba-se por 24 a 48 horas a 55ºC, e se a
esterilização foi suficiente a cor violeta não se altera.
Podemos também
usar cadarços embebidos com suspensão salina de cultura de Bacilo subtilis (em
esporulação acentuada) colocados no interior de um campo cirúrgico dobrado, que
será colocado no centro dos pacotes, caixas ou tambores. Findo o prazo de
esterilização, o cadarço é enviado para cultura no laboratório. (o Bacilo
subtilis não é patogênico e é um dos mais resistentes ao calor)
5.6-
Éter cíclico - Óxido de etileno
É um gás
incolor, inflamável, tóxico, altamente reativo, é completamente solúvel em água, álcool, éter e muitos
solventes orgânicos, borracha, couro e plásticos. É bactericida esporicida e
virucida. Eficaz em temperatura relativamente baixa, penetra em substâncias
porosas, não corroe ou danifica materiais, age rapidamente, removível
rapidamente.
5.7-
Esterilização pelo óxido de etileno
Autorizado pelo
Ministério da Saúde como agente químico para esterilização, portaria 930/1992.
Necessita de três unidades: aparelho de autoclave combinado, gás e vapor;
aparelho de comando que vai misturar o gás, e o freon na concentração
pré-estabelecida e o aparelho aerador
5.7.1-
Condições
Existem quatro condições que são primordiais e que guardam relação entre si
para que o óxido de etileno se torne um agente esterilizante:
a)
Tempo
- o tempo de exposição ao gás varia
deacordo com a temperatura do aparelho,
b)
Temperatura
- Geralmente utiliza a temperatura de55oC e a exposição em 2 horas. Em
temperaturas mais baixas necessitamos de exposições maiores e vice-versa.
c)
Umidade
relativa - usa de 20 a 40%,
d) Concentração do gás - usa a concentração
de 450mg/L de espaço da câmara esterilizadora. Por ser altamente inflamável
quando puro, usamos misturar com dióxido de carbono (90%) ou freon (80%).
5.7.2- Técnica
a)
Preparo
do material - deverão estar completamen-te limpos e secos. O material que os
empacota deve ser permeável, flexível e forte para agüentar a manipulação
normal do processo de esterilização. Usar fitas adesivas para identificação e
indicadores de óxido de etileno dentro dos pacotes.
b)
Não
sobrecarregar o esterilizador para evitarbolsões isoladores e também o
rompimento e abertura dos pacotes durante o aumento de pressão da câmara.
c)
Aeração
- o objetivo é ventilar para remover o gáscontido no material
esterilizado e sendo executado a 50ºC, o tempo varia de acordo com
o tipo de material, assim:
- Borracha e material plástico fino = 6
horas
- Borracha e material plástico grosso = 24
horas
-
Marca passos internos = 4 dias
- Luvas, cateteres e outros materiais em invólucros de plásticos = 7 dias
- Qualquer tubo de cirurgia cardíaca = 7
dias
5.7.3- Vantagens:
-
É bactericida, esporocida e virucida
-
Agente
esterilizante em temperatura relativamente baixa
-
Facilmente removível
-
Fácil
de obter, armazenar e manusear
-
Penetra
em qualquer material permeável eporoso
-
Esteriliza
uma grande variedade de instrumentos e equipamentos sem danificar a maioria
-
É
método simples, eficaz econômico e seguro
-
O
material esterilizado pode ser estocado porperíodo prolongado
5.7.4-
Desvantagens
Necessita de controle cuidadoso da concentração de gás, temperatura e
umidade.
A aparelhagem é cara e requer supervisão técnica especializada.
O gás etileno possui efeito tóxico.
O processo é demorado.
A utilização do aparelho
é limitada a estabelecimentos grandes.
5.8-
Flambagem
O Ministério da
Saúde, através da portaria 930 de 27 de agosto de 1992, relaciona a flambagem
como meio possível de esterilização nas laboratórios de microbiologia para a
manipulação de material biológico ou transferencia de massa bacteriana pela
alça bacteriológica e para a esterilização de agulhas, na vacina de BCG
intradérmico.
5.9-
Radiação
A radiação é uma alternativa na esterilização de artigos termossensíveis,
(seringa de plástico, agulha hipodérmicas, luvas, fios cirúrgicos), por atuar
em baixas temperaturas, é um método disponível em escala industrial devido aos
elevados custos de implantação e controle.
Radiações ionizantes: (raios beta, gama, (cobalto), X, alfa ).
Tem boa penetrabilidade nos materiais mesmos já empacotados o que justifica a
sal comodidade.
Radiações não ionizantes: (raios ultravioleta, ondas curtas e
raios infravermelhos) devido a sua baixa eficiência está vetado o seu uso pelo
Ministério da Saúde desde 1992.
Filtração é
usada como controle ambiental, criando áreas
limpas e áreas estéreis, podendo
inclusive lançar utilizar se do fluxo
laminar.
5.10-
Aldeído
Agente químico autorizado pelo Ministério da Saúde, (portaria 930/1992) .
Glutaraldeido a 2%, associada a um antioxidante, por 8 a 12 horas, é usado
para esterilizar material de acrílica, cateteres, drenos, nylon, silicone,
teflon, pvc,
laringoscópicos
e outros)
Formaldeído, usado tanto na forma líquida ou gasosa por 18 horas.
Paraformaldeído,
as pastilhas tem ação esterilizante na concentração de 3 gramas por 100 centímetros cúbico de volume do recipiente onde o material é
esterilizado por um período de 4 horas a
50°C.
5.11-
Outros, Ácido peracético
Ácido peracético, usado como desinfetante e esterilizante para cateteres
(portaria 15 de 23 de agosto de 1988 do Ministério da Saúde), tem a vantagem
que ao se decompor origina ácido acético, água, oxigênio e peróxido de
hidrogênio. Em altas concentrações, o ácido peracético, tem odor pungente e
riscos de explosão e incêndio. O mecanismo de ação é desnaturação protéica,
perda da permeabilidade da membrana celular e oxidam o radical sulfidril e
súlfur das proteínas, enzimas e outro metabólitos.
O peróxido de hidrogênio é um agente químico esterilizante tanto na sua
forma líquida, gasosa e plasma, inativa bactérias, vírus, bacilos da
tuberculose, fungos e alguns esporos. É um agente altamente oxidante, tóxico,
irritante em relação à pele e aos olhos. Age produzindo radicais hidroxilas
livres que atacam a membrana lípidica do DNA e outros elementos da célula
microbiana.
Novas tecnologias vêm complementar os processos físicos existentes, mas
nunca a substituir e, em todas elas, a eficácia da esterilização fica comprometida
na presença de sujidade nos materiais processados.
BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA
1 - Ministério da Saúde. Comissão de
controle de infecção hospitalar. Manual de controle de controle de infecção
hospitalar. Brasília. Centro de documentação do Ministério da Saúde. 1985, 123 p. Série A. Normas
e manuais técnicos 16.
2 - Ministério da Saúde. Secretaria Nacional de Organização e Desenvolvimento
de Serviços de Saúde. Programa de infecção hospitalar. Lavar as mãos. Brasília.
Centro de Documentação do Ministério da Saúde. 1989, 39 p. Série A. Normas e manuais técnicos
11.
3 - Magalhães HP. Técnica cirúrgica e
cirurgia experimental. SãoPaulo. Ed. Sarvier, 1993. 338 p.
5 - Oliveira, FL. Esterilização pelo óxido de etileno. Rev. paul. hosp. 1975; 23
(16): 223-35.
6
- Mendonça AP, Fernandes MSC, Azevedo JMR, Silveira WCR, Silve e Souza AC. Lavagem das mãos: adesão dos profissionais de saúde em uma unidade de terapia intensiva neonatal. Acta sci., Health sci. 2003; 25 (2): 147-53.
7 - Cruz SL. Antissépticos, desinfetantes e esterilizantes. In Silva
Penildon. Farmacologia. Sexta edição. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan, 2002 p. 1173-7
8 - Brasil. Portaria interministerial n° 482 de 16 de abril de
1999.Porcedimentos de instalação e uso do gás óxido de etileno e suas misturas
em unidades de esterilização. Ministério da Saúde.
9 - Saldmann F. On s´en lave
les mains. Tout connaître des nouvelle règles de l´hygiène. Flamarion, 2007
(307 p.).
Recebido
para publicação em 20/08/2008
Aprovado
para publicação em 30/09/2008

Bons arigos
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